18 de novembro de 2019

Lágrima e um verso


Quando no cerrado o silêncio vozeou
De uma solidão, gemendo, todo faceiro
Dentro do coração a dor assim zombou
E ofegou o bafejo do suspiro primeiro

E a sofrença sentiu os olhos rasos d’água
A boca sequiosa, cheia de fel e ardume
Ali brotou a flor da aflição e da mágoa
E no peito, a tristura em alto volume

E no árido chão, por onde ele passava
A desventura espalhava feito sementes
E na terra, o padecer então empoeirava
E germinava com as lágrimas ardentes

Foi então que ali me vi na via dolorosa
Tão chorosa a poesia triste de saudade
Com espinhos e perfume, como a rosa
Num cortejo, fúnebre, sem a felicidade

Enfadando na alma os gritos e soluços
Ia a noite assombrada e não dormida
E os sonhos esfalfantes e de bruços
Avivado, e a tecer a insônia ali na lida

E assim se fez o oráculo sem encanto
E num canto o destino algoz e largado
Entre lamentos e um poetar em pranto
Lágrima e um verso, penoso e chorado

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
18 de novembro de 2019 – Cerrado goiano
Olavobilaquiando

copyright © Todos os direitos reservados
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17 de novembro de 2019

SONETO COM JURAS

Encarnação da ventura. Pulsa-me o peito
Repleto de amor, estadeado de felicidade
De um olhar de feitiço, e o inebriante jeito
Das paixões, que no prazer é imensidade

O teu lábio ao desejo do ingovernável afeito
Alvitra-se em um crispar de sensualidade
Num riso de formosura, e encanto perfeito
Deixando o talante na cruenta profanidade

E assim, com o meu servil pasmo no agrado
Com abraço ansioso, e tão cheio de vontade
Ajoelho-me aos teus pés em reverência una

Então, debaixo da apaixonada e branca luna
As sinceras juras de compromisso e fidelidade
Pois quero-te! E de te ser um eterno enamorado

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
17 de novembro de 2019 – Cerrado goiano
Olavobilaquiando

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Se copiar citar a autoria – Luciano Spagnol

NÃO DIZ NADA!

Não diz nada!
Nem a poesia vã
A ventura está selada
Suave está a manhã
Em nada se dizer
Se tem o amanhã
Há tanto prazer
No sossego
De sentir e ver
Nenhum apego
Deixa acontecer
Sinta o aconchego

Talvez em outra trova
Há tudo para puder
Sem reprova
Ou somente crer
No tudo vale a pena
Se forte é a fé no viver
Então, fique em cena
Só tenha a agradecer
O ato de ser aprendiz...
Estamos nesta estrada
Para ser... - sou feliz!
Não diz nada!

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
17 de novembro de 2019 – Cerrado goiano

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Se copiar citar a autoria – Luciano Spagnol

NATAL, amor


- Para todos os que coabitam
os fartos, os que necessitam
- Pelas mãos que dão asilo
a aquele que está intranquilo
- Pela dor que é compartilhada
na dificuldade vivenciada
- Pela velhice respeitada
é sabedoria, tem de ser assimilada
- Pela mágoa que abriu ferida
indulgência deve ser oferecida
- Pelas guerras iniciadas
as armas devem ser arriadas
- Pelo tempo, em sua moderna corrida
abrace mais, sorria mais, mais vida
- Pela inconsciência desatinada
a natureza deve ser preservada
- Pelo amor, a diversidade em harmonia
vamos comemorar união, força, hegemonia
- Pois a nossa fé não pode ser fatal
oremos ao Menino Deus, é Seu Natal!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
cerrado goiano - Natal.

13 de novembro de 2019

Melodia

De onde este mistério
Esta magia
Esta melodia
De uma música em sintonia
Quando vem provocar saudade
Momentos de realidade
Lembranças de afinidade
Que acordes são estes?
Que trazem sinfonia ao coração
Harmonia à emoção
Arrancando suspiros
De alguém
De uma época
Um dia
Um momento
Um lugar
Fazendo recordar
Levando ao sobrenatural
Nos tirando da moral
Por que estas notas?
Aos sonhos hipnotizam
Ao corpo eletrizam
São mistérios da imaginação
Da vida
Da perdida paixão
Traduzidos em contemplação
Que nos faz viajar
No túnel do tempo
E suavemente caminhar
Para só parar
Quando o reequilíbrio encontrar
Novamente o AMOR.

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
12/10/2007, 23’ 13” - Rio de Janeiro, RJ

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12 de novembro de 2019

em pranto...


[…] é na viscosidade do suspiro
que a lágrima escorre pela face
redemolindo a alma num só giro
a ferro e fogo, a dor num enlace
agregando o sofrer em um retiro
de silêncio, de um usurário repace
que sonoriza o aperto em um coro
no peito e, amargor em trespasse
vazando o tormento num turvo choro...

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
12 de novembro de 2019 – Cerrado goiano

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11 de novembro de 2019

SONETO DO FAZ DE CONTA

Agora vou fazer de conta que sou poeta
Hoje a melancolia, não terá a rima certa
O céu alvoreceu poético e com harmonia
E em meu dia tudo será somente poesia

A minha existência não é mais só o eu
Cada verso trará o laço, o meu e o seu
O que outrora era somente ociosidade
Agora, o som da vida, é pura realidade

O silêncio deixei na solidão, no canto
Não sabia onde estava, para onde ia
Eu só queria um sentido, algum valor

E na busca de um pouco de acalanto
Parecia que o fado, gargalhava e ria
Até tu chegar, com o generoso amor...

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
11 de novembro de 2019 – Cerrado goiano

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9 de novembro de 2019

SONETO AMORÁVEL

Eu disse a mim mesmo que viveria sem você
Ledo engano, o meu coração não me obedece
Não sou forte o bastante, como se quisesse
Ser. Repito a cada instante, mereço? Por quê?

Às vezes o tempo fica sem o dia, ali vazio
E a obscuridão da noite me traz a solidão
Nada digo, nada tenho, eterna imensidão 
Sem você, o querer escorre pelo beiral frio

Não sei mais ser forte, no horizonte a alma
E eu aqui perdido num labirinto de trauma
Quanto mais tento sair, mais a desarmonia

Eu menti para mim mesmo, até machucar
Que eu saberia poetar sem poder te amar
Aqui eu, ainda, lhe poetando amor na poesia...

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
09 de novembro de 2019 – Cerrado goiano

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Se copiar citar a autoria – Luciano Spagnol

8 de novembro de 2019

TEMPO EM SONETO

Se tempo é a minha fortuna, quero ir além
Ter, porém, o essencial tempo para amar
Tempo nas palavras pra falar com o olhar
Tempo no tempo pra ter tempo, também 

Porém, que este tempo traga um lugar
Que se possa no tempo confiar a alguém
Tempo ao tempo que esperança contém 
Criando tempo no meu vário caminhar

Se tempo é tudo que tenho, me convém
Aprecia-lo com tempo, assim, respeitar
Cada tempo que o tempo no fado detém

Então, no tempo eu ter afeto sem desdém
E cada detalhe do tempo, o bem embalar
Sem objeções e ofensas ao tempo... Amém! 

Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Janeiro de 2017 - Cerrado goiano

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Adeus Ano Velho

Deste que se passaram horas
Do velho ano
Do ano que já é outrora
Agora recordação, tempo profano
A cada segundo, minuto, hora
Dia após dia, quotidiano
O tempo vai, vai embora
Sorrateiro e ufano
Muito antes, antes de mim
Veloz e insano
Sem parar, até o fim...
No diverso plano
Vida que segue, "Quixotesco" no seu rocim
Adeus velho ano!

© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
Dezembro de 2016 - cerrado goiano

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Lágrima e um verso

Quando no cerrado o silêncio vozeou De uma solidão, gemendo, todo faceiro Dentro do coração a dor assim zombou E ofegou o bafejo d...